domingo, 6 de novembro de 2011

Autistas pobres sofrem com descaso do Governo do Estado.

Falta de estrutura prejudica o atendimento aos pacientes 

ÉDER PATRIOTA
O autismo é a síndrome global do desenvolvimento, que ocorre a partir dos dezoito meses de vida, comprometendo a interação social, a comunicação e o comportamento. Em Alagoas existem instituições que trabalham com pessoas portadoras dessa síndrome, entre escolas da rede pública de ensino, a exemplo do Centro de Formação Professora Wandette Gomes de Castro, localizado no Conjunto Pajuçara, bairro do Poço em Maceió, vizinho à Escola Estadual Benício Dantas. Mas, os portadores da doença sofrem com o descaso, por parte do governo do estado.

Conforme Alba Marinho, pedagoga e coordenadora do Programa de Atenção à Pessoa com Síndrome do Autismo, vinculado ao Centro de Educação Especial de Alagoas, o Centro de Formação atende crianças autistas de 3 a 14 anos, buscando reduzir os seus déficits, para facilitar a inclusão social e escolar. Atualmente, são atendidos mais homens que mulheres- numa proporção de três homens para uma mulher.

Existem três tipos de autismo: leve, moderado e grave. O leve ocorre em pessoas com certa dificuldade de interagir socialmente e de comunicação, podendo apresentar algumas estereotipias (comportamentos repetitivos), como mexer as mãos constantemente. No moderado, a pessoa pode ou não se comunicar verbalmente, geralmente o isolamento é maior que no grau leve, podendo ou não apresentar comportamentos repetitivos, como bater palmas frequentemente. Já no grave, geralmente, não ocorre à comunicação verbal de maneira alguma, e os portadores são agressivos e autolesivos. Além disso, as estereotipias são bastante acentuadas, como bater a cabeça na parede.

Ainda segundo a pedagoga Alba Marinho, que trabalha com autistas no Centro de Formação Professora Wandette Gomes de Castro e no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), aconselha as pessoas que tiverem pessoas com autismo, que procurem o mais cedo possível ajuda especializada e adequada, pois agindo dessa maneira existe uma possibilidade de diminuir o quadro autistico.

No Wandette, são atendidas 31 autistas diariamente, entre crianças e pré-adolescentes, sendo que a maioria das salas de aula tem duas professoras e, no máximo, três alunos. Os autistas recebem outros atendimentos especializados, como psicopedagógico, brinquedoteca, psicomotrocidade, informática, fonoaudiológico, e basicamente na sala de aula o professor trabalha as atividades diárias (avd´s) e atividades de vida prática (avp´s).

Dificuldades e exemplos de superação

Para Alba Marino, as maiores dificuldades existentes no dia- a- dia do Centro de Formação são a falta de espaço para atender a mais pessoas realizadas pelos profissionais, e carência de recursos humanos e materiais, como cadeiras, mesas e armários. E todo o trabalho desenvolvido só dá resultado quando a família do autista participa ativamente das orientações da equipe do Wandette, em relação à maneira como lidar com a pessoa portadora do autismo. “Percebo que as crianças que têm maior evolução são as praticadoras das nossas orientações. Entretanto quando o menino autista é de família com condições financeiras de assistir melhor a ela, ela vai para uma escola particular e lá tem a maior atenção do profissional, pois elas oferecem melhores condições de trabalho”, salientou.

Por fim Marinho, disse que “independente das condições físicas da instituição, das suas carências materiais e humanas, o trabalho desenvolvido pelos profissionais é significativo para uma melhora nos déficits relativos ao aspecto autistico, como acontecem com crianças atendidas pelo programa e que atualmente estão estudando na Escola Estadual Professor Rosalvo Lôbo, no bairro da Jatiúca.

Estudante que trabalha com os PNE´s e gosta

A estudante de pedagogia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Luana Lins, afirma que os cursos de licenciatura deixam bastante a desejar, quando tratam vagamente assuntos relacionados aos Portadores de Necessidades Especiais (PNE´s). “A professora citou as síndromes e os transtornos mais comuns entre as pessoas e disse que antes de trabalhar com esse público não tinha interesse, porém quando foi convocada a trabalhar nisso teve de ler diversos materiais para entender como seria o perfil desse público’, acrescentou.

Ainda segundo a estudante, “os profissionais da área educacional são bastante resistentes para trabalhar com os PNE´s, porque na sua maioria são preconceituosos. Entretanto, para quem tiver interesse nesse nicho profissional, o mercado de trabalho é amplo e exige que a pessoa busque sempre se qualificar e aceitar as pessoas que for trabalhar com as suas particularidades. Além disso, Luana recomenda que as pessoas sempre leiam sobre as pessoas que estiverem trabalhando”, completou.

Reportagem tirada de:

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário