Palestra apresentada pela professora Josete no congresso em Caldas Novas-GO
A IMPORTÂNCIA DA PARCERIA COM A FAMÍLIA PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA COM AUTISMO
¢
O QUE É O AUTISMO?
INTRODUÇÃO
Uma tendência natural do ser humano é a de procurar uma identificação em alguém ou em alguma coisa. Quando uma pessoa se identifica com outra e passa a estabelecer um vínculo social com ela, ocorre uma associação humana. E a família é o primeiro grupo social de um individuo, e também o mais importante, pois é um núcleo de convivência, unido por laços afetivos, que costuma compartilhar o mesmo teto.
O QUE É O AUTISMO?
O termo autismo foi utilizado pela primeira vez em 1911, por Bleuler, para designar a perda de contato com a realidade e consequente dificuldade ou impossibilidade de comunicação.
¢
A FAMÍLIA E A CRIANÇA COM AUTISMO
Antes:
Durante duas décadas, pesquisas empíricas, rigorosas e controladas levaram à hipótese da existência de alteração cognitiva que explicaria as características de comunicação, linguagem, interação social e pensamento presentes no autismo.
A família é o primeiro grupo social ao qual o individuo passa a pertencer, é com ela que a criança passa a maior parte do seu tempo. Pois, na escola ela fica em torno de quatro horas diárias enquanto que no seio familiar ela passa às vinte horas seguintes. Assim, é em casa que se dá continuidade ao que é aprendido na escola.
¢ E quando se trata de crianças com autismo, na qual sua dificuldade nas relações sociais é muito intensa, houve a necessidade de um trabalho em parceria com a família, onde no primeiro momento foi feito uma entrevista com os pais ou responsáveis, a cerca do desenvolvimento do aluno no seio familiar. E por consequência firmado uma parceria com o Serviço de Atendimento Pedagógico Especializado da Associação Pestalozzi de Arapiraca.
OS PAIS E A ESCOLA
Educar não se limita a repassar informações ou mostrar apenas um caminho, aquele caminho que o professor considera o mais correto, mas é ajudar a pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade. É saber aceitar-se como pessoa e saber aceitar os outros. É oferecer várias ferramentas para que a pessoa possa escolher entre muitos caminhos, aquele que for compatível com seus valores, sua visão de mundo e com circunstâncias adversas que cada um irá encontrar.
¢ A escola tem que desenvolver um trabalho em parceria com os pais, pois é só com esse equilíbrio entre escola e familia, que se consegue o desenvolvimento do aluno, que é o foco principal.
OS RESULTADOS OBTIDOS DURANTE A EXPERIÊNCIA COM OS PAIS
Creio que incluir pessoas portadoras de TID em classes regulares seja algo possível numa escola inclusiva, conforme os parâmetros que proposto.
¢ E o trabalho com a familia torna-se imprescindível nesse contexto, por isso, este trabalho teve inicio em março deste ano e está em pleno processo de desenvolvimento obtendo grandes êxitos aos aspectos citados.
¢ Dessa forma, observou-se que as crianças, as quais a família firmou parceria com o Serviço de Atendimento Pedagógico Especializado da Associação Pestalozzi de Arapiraca, obtiveram um desenvolvimento cognitivo considerável, enquanto que aquelas nos quais os pais não participaram não conseguiram atingir os objetivos almejados.
DEPOIMENTO
Nós somos Alex Sandro Maia (40) e Maria Selma (33), moramos em Arapiraca,
cidade que fica a 125 km
de Maceió, Alagoas. Pais de 5 filhos, sendo que o mais velho tem 11 anos e o
mais novo, 1 aninho.
![]() Lívia aos 15 dias de nascida. |
Em novembro de 2001, fomos agraciados
por Deus com uma linda bebê de 3,1kg e 49cm de altura.
Lívia,
pele branquinha e olhar doce, parecia-nos uma criança sem nenhum problema de
saúde aparente, até que, com 1 ano de idade, as pessoas nos questionavam uma
certa diferença em relação às outras crianças da mesma idade. Lívia não andava,
não interagia, não se desenvolvia normalmente. Para
nós era uma questão de
tempo, para os parentes e amigos, era motivo de preocupação. Durante 2 anos levamos a vários pediatras e as
respostas eram sempre as mesmas: ‘’Sua filha é simplesmente normal.”
| Lívia aos 6 anos. |
Ao completar 3 anos e 11 meses, Lívia
foi diagnosticada com Autismo, por
um neuropediatra, que a
encaminhou a Sociedade Pestalozzi
de Arapiraca.
Autismo, palavra estranha para nós. O
que seria? Como tratar? Tem cura?
Lívia teria condições de se desenvolver
e ser uma criança normal?
Essas eram as dúvidas que tínhamos, ao
contrário dos parentes e amigos que insistiam em saber: ‘’Porque?’’, ‘’Como?’’,
‘’De quem é a culpa?’’
Em 19 de janeiro de 2005, aos 4 anos,
Lívia deu início aos tratamentos na clínica da Associação Pestalozzi, sendo a
primeira paciente com o espectro autista a ser tratada na entidade. A clínica
nos recebeu de braços abertos. Disposta a nos ajudar, a equipe médica (psicóloga, fonoaudióloga e T. O.) nos
trouxe de volta a esperança de reverter o quadro da nossa pequena moça.
| Drª Karine Lopes Pinheiro (Psicóloga) |
Em abril de 2006, por intermédio da
psicóloga Karine Lopes Pinheiro, a quem somos eternamente gratos, encaminhou à
pedagoga Marinês Amorim para avaliação e integração de Lívia ao Serviço de Atendimento Pedagógico Especializado da Associação Pestalozzi de Arapiraca, onde tivemos a alegria de conhecer aquela
que seria um dos principais motivos da evolução, não só de Lívia, mas também da
nossa evolução como pais, fomos, ou melhor, estamos sendo orientados, de forma
dinâmica e altruísta, no que se refere ao tratamento de Lívia: Tia Josete (como a carinhosamente
chamamos e a temos como “a segunda mãe dela”)
| Doutoras Sharlene (T.O.) e Luana Amorim (fono), faziam parte da 1ª equipe que cuidou de Lívia na Pestalozzi. |
Foram vários os resultados obtidos:
• Não usava o banheiro
• Não se comunicava
verbalmente
• Não se alimentava
sozinha
• Não interagia
• Não demonstrava
interesse com os brinquedos (boneca, bola, etc.)
• Não brincava com os
irmãos
• Se isolava muito,
parecendo não se importar com as coisas
Entre outras dificuldades.
Hoje:
• Utiliza o banheiro
sozinha
• Fala algumas palavras e
até mesmo frases, canta músicas, sabe pedir para comer, beber e assistir TV
• Se alimenta sozinha
• Interage
• Brinca com os
brinquedos, demonstrando interesse (principalmente com bonecas)
• Com alguma dificuldade
brinca com os irmãos, sendo carinhosa e até mesmo cômica
• Não é agressiva (aliás,
nunca foi)
Tudo isso foi conseguido através de uma
rotina, trabalhada na escola com a ‘’Tia Josete’’, os tratamentos com os
profissionais da clínica e em casa com a família.
Agradecemos a Deus, porque através de
Lívia conhecemos pessoas que verdadeiramente foram e continuam sendo especiais
na nossa vida, nos tornando cada dia mais “Pais”.
OBRIGADA!!!
Josete Miranda


