O que é inclusão?
Excerto e tradução: Andréa S. Dickson
Seres humanos com, desabilidade ou não, têm necessidades básicas que devem ser atendidas para que possamos nos sentir realizados. (As nossas necessidades básicas: comida, água, moradia, segurança e trabalho para viver). Também podemos perceber que se não nos alimentamos bem, exercitamos, dormimos bem isso afetará a nossa saúde e capacidade de funcionamento no nosso dia-a-dia. Todos nós necessitamos de um propósito, sentido para o que fazemos e o que nos dê uma inspiração. Se nos sentimos inúteis ou fazemos coisas sem importância diminui a nossa motivação e a nossa auto-estima. Nossas vidas são enriquecidas com os amigos, relacionamentos, amor e quando nos sentimos aceitos por todos. Isso enriquece as nossas vidas. Sentir-nos sozinhos, alienados poderá ter um impacto negativo em todas as áreas de nossas vidas.
A educação escolar nos ajuda a manter a necessidade de aprender, crescer e não ficarmos parados, como todas as outras necessidades de nossas vidas, se focalizarmos somente em uma, não encontraremos a qualidade de vida que necessitamos. Quando todas estas necessidades são preenchidas com integridade, cada área reforça a possibilidade de alcançar êxito em outras áreas. Inclusão é preencher todas estas necessidades e maximizar a qualidade de vida de um ser humano.
O fundamento principal da inclusão escolar é valorizar a diversidade na comunidade. Quando a inclusão for realmente aceita, nós abandonaremos a idéia que crianças podem se tornar “normais” para construir suas vidas na comunidade. Nós passaremos a ver maneiras diferentes, não típicas, para ser membros válidos da comunidade. Ao fazer isso vamos perceber a importância de alcançar a meta de oferecer a uma criança um autêntico sentido de fazer parte do mundo. A inclusão na escola vai requerer uma mudança de ângulo. Ao invés da criança ter que ser preparada para a classe escolar, é a classe escolar que deve ser preparada para criança. É uma decisão que requer um planejamento através do qual se poça alcançar a necessidade da criança. A classe regular será olhada não “como pode acontecer isso”? Mas, “como podemos fazer isso”? Deve-se fazer adaptação do material, currículo, expectativas para o individuo e metas acadêmicas. O propósito não é só social ou acadêmico, mas para encontrar e solucionar as necessidades das crianças, juntas se possível. Através da inclusão escolar, fazer parte da sociedade. A inclusão ensina a todas as crianças a aceitar, trabalhar em conjunto e como interagir e agir com outras pessoas com habilidades diferentes. Eles aprendem a valorizar as nossas diferenças, ver as habilidades de outros para contribuir e dar às crianças um senso de união.
Como programar uma educação com inclusão?
1. Se uma criança tem uma desabilidade, ela continua sendo uma criança um ser humano. E tem as mesmas necessidades de outras crianças.
2. Identificar a necessidade da criança.
3. Identificar o seu potencial e necessidades educacionais.
4. Identificar recursos que existem no programa.
5. Estabelecer um programa individual para o estudante.
6. Identificar e descrever o potencial do estudante.
7. Escolher uma classe.
8. Desenvolver um cronograma.
9. Desenvolver atividades de transição
10. Providenciar recursos adicionais para o programa de estudante especial.
11. Providenciar assistência técnica.
12. Treinar o pessoal da escola.
13. Envolver os pais no processo
14. Monitorar o progresso e plano escolar
Pesquisas têm documentado que semelhantes Programas de Inclusão podem beneficiar estudantes autistas a aprender habilidades sociais. O método mais efetivo para trabalhar com o estudante com autismo em inclusão são as brincadeiras com estruturas apropriadas. Quando os seus semelhantes (a mesma faixa de idade ) recebem treinamentos e a professora reforça a interação entre o estudante autista e o estudante regular, isso pode ser altamente positivo.
Qual o beneficio da inclusão para o autista?
Pessoas autistas têm dificuldades para compreender situações sociais, se socializar. O desenvolvimento da comunicação do autista, o que interfere com as pessoas regulares que não passam por estes problemas. Muitas vezes eles têm comportamentos inapropriados quando encontram situações sociais que interferem na associação com outros que não o compreendem e acabam tendo uma opinião negativa sobre eles. Quando um autista não tem um modelo semelhante (a mesma faixa de idade) ele não pode progredir e melhorar socialmente e na habilidade de comunicação. A educação regular pode oferecer oportunidades válidas para interação social. Mas somente ser colocado em uma classe regular não assegura sucesso nestas áreas. Eles necessitam de suporte para desenvolver as necessidades básicas e desenvolver-se. Com um bom programa de suporte eles podem progredir nas áreas sociais.
Qual o beneficio para crianças regulares?
Eles se beneficiam com a participação de uma criança especial no programa: com isso desenvolvem o respeito e consciência das necessidades destas pessoas o que os levam a ver as dificuldades de outras pessoas e aprender a aceita-las, e identificar as facilidades para algumas coisas. Isso nos conduz a uma sociedade mais tolerante. Muitos pais reparam boas mudanças nos filhos que fazem parte destas classes.
Beneficio em usar (peer tutoring) Instrutores na mesma faixa de idade: um Programa social
Professores têm reconhecido os benefícios que semelhantes programas de inclusão trazem e sua influência no ensinamento acadêmico e na auto-estima do estudante. Para estudantes com autismo só a presença de pessoas regulares não é suficiente para aprender habilidades críticas. Recentemente profissionais e pais comecaram a reconhecer o impacto positivo que semelhantes contatos com crianças sem desabilidades podem ter em crianças autistas. Em programas que oferecem (Peer tutor) com uma boa fundamentação de metas sociais, é usado para o ensinamento direto de socialização e linguagem e é marcante o benefício aportado aos estudantes com desabilidades. Tutores e professores que experimentam dificuldades com socialização com crianças normais ou até na conversação, terão muitas oportunidades em que os tutores (peers) freqüentemente e repetidamente deverão apresentar suas próprias respostas aos problemas surgidos. Isso providencia para os estudantes um melhor ambiente para desenvolver a habilidade na área social e domínio da linguagem, guiados por um professor ou tutor.
Com consistência e freqüente a exposição de programas para formação de tutores, professoras e parentes reportam sobre estudantes que ganham crescimento na linguagem com produção das palavras diminuem brincadeiras solitárias, um aumento em habilidades apropriadas para o comportamento e brincadeiras. Um pai relata que pela primeira vez ele viu seu filho brincar com o irmão, algo que ele nunca tinha feito antes de ter um tutor na escola. Uma professora presenciou em aluno especial dar algumas voltas pela escola e depois entrar em um grupo de alunos que estavam brincando juntos. Com isso pais e professores passaram a reconhecer que é difícil para adultos ensinar habilidades sociais apropriadas para cada idade das crianças. Mas as crianças especiais não têm muitas oportunidades de interação com crianças regulares, por isso é importante introduzir na escola. Esse tipo de programa merece ser pesquisado por profissionais que trabalhem com estudantes autistas e com dificuldade na linguagem e socialmente.
Para começar devemos ver e determinar o potencial e fraquezas do estudante:
Academico:
· Se o aluno está no seu nível apropriado?
· Se tem habilidades motoras adequadas? Se segura o lápis?
· Você vai precisar modificar o currículo, se precisar, aonde?
· Quantas horas, tempo, a criança vai ficar na escola?
· Ele compreende quando você fala?
· Tem ou pode trabalhar independentes metas?
Social:
· Como responde a outras crianças?
· Pode trabalhar com outras crianças?
· Sabe dividir?
· Mantém contato no olhar com adulto e criança?
· Pede ajuda?
· Começa uma conversa com outra criança?
· Pode identificar emoções nele e em outras pessoas?
· Tem brincadeiras apropriadas?
Comportamental (Behavioral):
· Como expressa frustração?
· Pode se alcamar sozinho?
· É agressivo com outras pessoas?
· Pode se manter em uma atividade?
· O que faz e como se comporta no tempo livre?
· Pode permanecer sentado por um bom tempo?
· Tem comportamento desrupitivo?
· Agüenta estar em uma classe barulhenta?
O que se deve observar na classe regular:
· Quando você acha que o estudante terá sucesso independente.
· Quando precisa de asistência.
· Pense como pode acomodar as metas que necessitem ser trabalhadas e que áreas precisam de ajuda.
· Quem será responsável por cada meta.
· O que pode ser modelado pelo tutor e o que necessita ter um acompanhamento mais face-a-face com a professora.
· Manter uma lista dos comportamentos.
· O que pode ser mudado para não ter o comportamento negativo.
· Desenvolver um plano para o comportamento.
· Determine conseqüências para quando o comportamento acontecer.
· Metas de objetivo para a socialização
· Como irá ensinar.
· Quem vai monitorar as metas.
Idéias:
· Jogos sociais: Jogos que tenham objetos ou atividades que reforcem socialmente e encorajem a socialização.
· Amigos do Lanche: O estudante autista escolhe 2 ou 3 estudantes regulares para lanchar com ele e manter conversas em um lugar calmo e agradável.
· Peer tutoring: Trabalhará um-a-um dando assistência a crianças na área social, atividades da classe. O tutor estará com ele em horas que sabemos que terá dificuldades ou horas designadas do dia e trabalhar em horas especificas para prevenir o comportamento como transição, andar em fila, ficar quieto no corredor.
· Clube dos amigos: Um grupo de amigos que querem ficar por turnos, por algum tempo com a criança no recreio, haverá um local (center time), onde os nomes dos voluntários são colocados. Estes estudantes são instruídos sobre o aluno e como devem trabalhar com ele.
FONTES:
WAYNER, Sheila. Inclusive programming for elementary students with autism.
VILLA & THOUSAND. Creating an inclusive school.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário